tenho em mim uma coleção de impulsos, e por impulso, mais uma vez me vejo sufocando em palavras.
tento numerar meus pensamentos, colocar em ordem os sentimentos, mas falho, miseravelmente eu falho. uso versos simples e sonetos com a métrica perdida para tentar me recompor, decompor na poesia e finalmente sentir a vida. a vida que por vezes parece vazia, ou seria eu? o som oco no peito, o som oco no quarto, o som oco das folhas de um livro que eu ainda não li.
hoje não tento mais encaixar peças em mim, o gosto das faltas me faz bem. deixo a luz passar por todas as minhas feridas, feridas que não cicatrizam.
eu sei que dói. dói dizer adeus, dói perdoar. mas aprendi que toda dor uma hora vira cura, todo corte arde para depois cicatrizar.
e agora eu me permito doer,
me permito arder,
me permito
perdoar os
meus erros,
me permito recomeçar.
cr.
